O projeto Eureka! Meninas na Física foi criado com o objetivo buscar a igualdade de participação das mulheres na Física, estimulando a participação das meninas na ciência, promovendo a discussão sobre gênero na ciência, incentivando a experimentação no ensino de física e disponibilizando as experiências vividas pelo grupo. Seguem algumas fontes de informação sobre o projeto:

 

 

INSTAGRAM

 

Desde 2022, as atividades do projeto são divulgadas no Instagram.

 

 

SIGAA

 

As realizações mais recentes do projeto informadas pelo SIGAA até a escrita deste artigo (mar. 2025) contaram com estas equipes:

 

 

EQUIPE DE 2023:

 

Coordenadoras:

 

Erondina Azevedo de Lima (docente, coordenadora)

Luana Cristina Wouk (docente, vice-coordenadora)

Alexandra Mocellin (docente, coordenadora executiva)

 

Colaboradora:

 

Rachel Bezerra Goes e Silva (servidora)


Alunas:

Amanda Barboza Gaudart (bolsista)

Ana Clara Tavares da Silva (bolsista)

Carina Rodrigues Lobato (voluntária)

Ingrid Gabrielli Mendes Silverio (bolsista)

Safira Athena Ferreira Campos (voluntária)

 

 

EQUIPE DE 2021:

 

Coordenadoras:

 

Erondina Azevedo de Lima (docente, coordenadora)

Vanessa Carvalho de Andrade (docente, coordenadora executiva)

 

Colaboradores:

 

Leonardo Luiz e Castro (docente)

Larissa Santos (comunidade externa)


Expositores:

Gabriel Rodrigues de Oliveira (discente)

Mariana Nascimento de Jesus (discente)

Melissa Souza Cardoso (discente)

Nathália Duarte da Silva (discente)

Safira Athena Ferreira Campos (discente)

Thaynara Gomes de Moura (discente)

Yasmin Lírio Souza de Oliveira (discente)

 

 

 

 

SITE OFICIAL

 

Entre 2019 e 2025, o projeto teve um site no domínio oficial da UnB (http://eureka.if.unb.br/), com informações gerais sobre o projeto em suas múltiplas realizações. Seguem as informações disponíveis no site em março de 2025:

 

 

EQUIPE

 

Professores e técnicos:

 

Erondina Azevedo de Lima  (IF/UnB)

Vanessa Carvalho de Andrade (IF/UnB)

Dianne Magalhães Viana (FT/UnB)

Mariana Penna Lima (IF/UnB)

Letícia Coelho (IF/UnB)

Reva Garg (IF/UnB)

Paulo Roberto Menezes Lima Junior (IF/UnB)

Solange dos Reis Amorim e Amato (FE/UnB)

Lúciana Maria Dias de Ávila Rodrigues (MAT/UnB)

Cintia Schwantes (IL/UnB)

Adriane Beatriz Schelin (IF/UnB)

Roseline Beatriz Strieder (IF/UnB)

Rachel Bezerra Góes e Silva (IF/UnB)

 

Bolsistas:

 

Tabata Luiza de Sousa Alves

Francisca Deuzilene Nobre de Lima

Júlia Amaral e Silva

 

ESCOLAS PARTICIPANTES

 

Centro de Educação Fundamental 03 do Paranoá

Centro de Educação Fundamental 05 do Paranoá

Centro Educacional Darcy Ribeiro

 

OBJETIVOS

 

O objetivo geral é buscar a igualdade de participação das mulheres na Física. Para o desenvolvimento dessa igualdade, vamos estruturar os seguintes objetivos específicos:

a) estimular a participação das meninas na ciência;

b) promover a discussão sobre gênero na ciência;

c) incentivar a experimentação no ensino de física;

d) disponibilizar as experiências vividas pelo grupo.

 

 

METODOLOGIA

 

A região de estudo consiste na cidade satélite do Paranoá e Ceilândia, uma área de grande ocupação e muitos conflitos. Considerada uma cidade vida, apresenta uma grande movimentação da população e um forte comércio, no entanto faltam oportunidades e estímulos para a ciência.

 

O projeto está estruturado da seguinte forma: atividades de acolhimento e motivação. As intervenções nas escolas vão acontecer em quatro etapas:

 

  1. Experimentação na escola e na UnB. Nesta etapa vamos abordar temas que envolvem os conceitos iniciais e elementares e serão construídos materiais experimentais com as participantes na escola.

    Em seguida serão desenvolvidas

  2. Aulas experimentais nos laboratórios do IF/UnB, com os mesmos conceitos, porém em um contexto universitário;

  3. Palestras, oficinas e rodas de conversas: Para alunas da graduação e para participantes do projeto, abordando de forma contextualizada os seguintes temas: Mulher, Ciência e sua importância na Física e áreas afins;

  4. Curso de Formação do professor na experimentação/teoria do ensino de Física. Esta etapa será realizada com os professores da escola que ministram a disciplina de ciências e física, um curso de experimentação/teoria, de formação de 40 horas, no IF/UnB.

Na última etapa organizamos com as participantes a produção e divulgação de um e-book com as experiências vivenciadas e um guia de experimentos desenvolvido ao longo do projeto.

A Metodologia de pesquisa escolhida é a pesquisa-ação, pois essa é uma forma de investigação baseada em uma autorreflexão coletiva empreendida pelos participantes de um grupo social de maneira a melhorar a racionalidade e a justiça de suas próprias práticas sociais e educacionais, como também o seu entendimento dessas práticas e de situações onde essas práticas acontecem. (KEMMIS e MC TAGGART,1988). A abordagem é de uma pesquisa-ação apenas quando ela é colaborativa, como é o caso que implementaremos. Consideraremos ainda como referencial teórico o sócio-interacionismo de Vigotsky (MOREIRA, 2011).

Referências Bibliográficas:

[1] Andrade, V. C. e Chwantes, C. C, Mulheres no campo da pesquisa em Física e Ciências Exatas na contemporaneidade. In: Cristina Stevens; Susane Oliveira; Valeska Zanello. (Org.). Mulheres e Violências - Interseccionalidades. 1ed. Brasília: Technopolitik, 2017, v. 1, p. 445-456.

[2] Andrade, V. C, Malabarismo com facas: Física e Gênero. In: Cristina Stevens, Suzana Rodrigues de Oliveira e Valeska Zanello. (Org.). Estudos Feministas e de Gênero: Articulações e Perspectivas. 1ed.Florianópolis: editora Mulheres, 2014, v. 1, p. 304-312.

[3] Saitovitch, Elisa B., Funchal, Renata Z., Barbosa, Márcia C., Pinho, Suani T. R. de.; Santana, Ademir E. de., Mulheres na Física, Livraria da Física, 2015.

[5] Laurentis, Teresa De. A tecnologia do gênero. Tradução de Suzana Funck. In: Holanda, Heloisa (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

[6] Butler, Judith. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do sexo. In Louro, Guacira Lopes (org). O corpo educado: pedagogias da sexualidades. Disponível em http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/166106/mod_resource/content/1/LOUROGuacira-L._O-corpo-educado-pedagogias-da-sexualidade.pdf.

[7] Barbosa, Márcia C.; Lima, Betina S. Mulheres na Física no Brasil: por que tão poucas? E por que tão devagar?. In: Yannoulas, Silvia Cristina (Coord.). Trabalhadoras: análise da feminização das profissões e ocupações. Brasília: Abaré, 2013. p. 38-53.

[8] Matemática no Ensino Médio: desafios e iniciativas. Marcelo Viana (IMPA).

 

 

JUSTIFICATIVA

 

Ainda nos dias de hoje, e apesar de todos os esforços para colocarmos meninos e meninas em situação de igualdade social e educacional, observamos que meninas se sentem, no geral, desconfortáveis nas áreas de exatas. Desde a tenra idade, a partir de seus 6 a 7 anos de idade, as meninas já pensam que não são aptas à matemática, e posteriormente, no ensino médio, se mostram desmotivadas à Física e Química. No cotidiano, em experiências vividas em casa ou na escola, a ciência não parece ser feita a elas. Como consequência disso, temos uma cultura que exclui meninas de áreas relacionadas a exatas desde muito cedo, na fase de definições de gostos e preferências, na ausência da incitação à curiosidade científica e na falta de modelos femininos para cientistas.

Por outro lado, no mundo adulto e atual, algumas áreas do conhecimento continuam sendo relativamente impermeáveis à entrada das mulheres em seu campo de atuação. As áreas de Matemática, Engenharia, Computação, Física e Química estão entre as últimas fronteiras conquistadas pelas mulheres. Podemos dizer que os motivos que mantiveram as mulheres longe das mesmas – a crença de que mulheres carecem dos talentos necessários para bem desempenhar as tarefas exigidas nesses campos do conhecimento – estão sendo superados, ainda que lentamente. Entre outras coisas que merecem destaque está o fato de que as mulheres, se são poucas nas áreas exatas, são ainda em menor número nos cargos de chefia e atividades remuneradas de pesquisa. Mesmo as áreas de humanas, que possuem mais mulheres compondo o corpo docente de faculdades e universidades, têm um número desproporcionalmente pequeno de mulheres em cargos de chefia. Um dos cursos de ação em relação ao fato de que as mulheres continuam distantes da Matemática, Física ou Computação, será o de que o próprio tempo se encarregará de suprir essa deficiência. Entretanto, existem ações que podem otimizar a presença feminina nas Ciências Exatas e Tecnologias, e é importante que elas sejam implementadas, não apenas porque as restrições correntemente existentes ferem o direito das mulheres de escolher sua profissão, mas também porque a própria sociedade não pode prescindir dos talentos que estão sendo perdidos atualmente, por causa desses interditos.

Historicamente, no Brasil, o ensino feminino foi regulamentado apenas em 1827. A lei proibiu o ensino misto e limitou o ensino feminino ao primário (Bruschini; Amado,1988). Na grade curricular, enquanto meninos tinham acesso à geometria, as meninas tinham que aprender prendas domésticas (Oliveira, 2009). Apenas em 1879 a mulher ganhou o direito de cursar o ensino superior. A partir de então, registra-se o surgimento de matrículas femininas nos cursos de Direito e Medicina. A presença de mulheres nas áreas das Exatas ocorreu com mais de duas décadas de atraso se comparado às áreas da saúde e do Direito. Assim, podemos dizer que a quebra de barreiras histórico-culturais no Brasil é muito recente. Não há ainda cem anos que nos separem da primeira mulher formada em Engenharia, e nos espanta recordar que a primeira Física mulher, Yolande Monteaux, se graduou apenas em 1937; na década de 1940 mais duas mulheres se formaram em Física, Elisa Frota Pessoa e Sonja Ashauer, e a presença feminina ganhou algum ar significativo em números apenas na década de 1960. Essa participação tardia das mulheres em áreas de Ciências Exatas, principalmente experimentais, é explicada por diversas razões, uma delas sendo o caráter eminentemente internacional da formação. Não havia no Brasil, na época, cursos de doutorado ou grandes laboratórios de pesquisa que recebessem nossas estudantes e as mesmas eram impedidas por razões culturais a sair sozinhas do país para conquistar suas formações. Essa cronologia também explica os baixos números de mulheres como pesquisadoras em universidades cursos de Exatas atualmente, se comparados com números da área de Medicina, a última com duas décadas de vantagem com respeito ao ingresso da mulher no mercado de trabalho da área de saúde. No caso específico da Medicina, há que se considerar ainda que a mesma esteja associada ao “cuidado com o próximo”, característica associada ao gênero feminino, e portanto mais bem assimilada como profissão feminina.

Devemos enfatizar que na universidade, registra-se uma procura reduzida das mulheres pelos cursos de Ciências Exatas, por exemplo, Computação e Física no país e no mundo, talvez os cursos de maior impermeabilidade, e no Brasil, juntamente com os altos índices de evasão e retenção nas áreas de Exatas, o cenário é ainda mais prejudicado.

Mas antes de se discutir a participação feminina nas Ciências no país é preciso discutir a participação de brasileiros em geral nas Ciências. Segundo o INEP, em uma população de 1000 pessoas pouco mais de 150 possuem ensino superior (cerca de 15% apenas da população). Desse número apenas 22 vão para as áreas de Ciências e Tecnologia. Dado número tão pequeno, não é de surpreender que apenas 7 são mulheres indo para essas áreas. (entre 25 e 34 anos). O quadro oposto encontra-se na Coréia do Sul, onde quase 70% da população, nesta mesma faixa etária, ingressa para o Ensino Superior. E enquanto temos 7% apenas de formados nas áreas de exatas no Ensino Superior brasileiro, essa porcentagem é duplicada nos EUA. Ou seja, a baixa participação das mulheres nas carreiras científicas e tecnológicas decorre primeiramente pela baixa participação de nossos estudantes no Ensino Superior, e sofre um agravamento substancial com as questões de gênero subjacentes.

O afunilamento permanece, considerando o universo das mulheres que alcançaram a carreira científica quando se analisa a sua baixa representatividade. Embora elas preencham metade do quadro total de pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ainda são minoria na área das ciências exatas, com apenas 20% de pesquisadoras na Física, por exemplo, e 13% na Engenharia Elétrica. O levantamento indica também que quanto maior a posição hierárquica, menor o número de mulheres. De acordo com dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a participação das mulheres nas áreas de exatas mais do que dobrou de 2011 até 2016 no Brasil. Apesar do aumento, na área das Ciências Exatas e da Terra, nas engenharias e na computação, a participação feminina ainda não supera 30% das bolsas disponibilizadas pelo órgão.

Constata-se que o número pequeno de mulheres que se interessam e decidem seguir nas áreas de Ciências sofre o que chamamos “Efeito tesoura” [5]. Elas são “cortadas “ paulatinamente em época de formação (graduação, mestrado e doutorado) e ao longo da carreira. Compreender as causas para esses cortes com profundidade é essência para essa questão. Algumas delas são a falta de incentivo familiar, discriminação subliminar de colegas e corpo docente, a ideia de que a carreira de cientista é incompatível com as atribuições ditas femininas de maternidade e cuidados com a família, a crença inculcada de que ela não possui capacidade.

No Instituto de Física da UnB, como exemplo, os números progridem lentamente, e ainda de maneira insuficiente: em 2005 tínhamos 18% de mulheres no total de professores e as meninas somavam entre 10-15% do total de estudantes. Atualmente, após a política do REUNI, as novas contratações a partir de 2009 aumentaram para 16 o número de professoras num universo de 76 professores, ou seja, 21,05%. Dentre os 369 estudantes de graduação atualmente matriculados 74 são meninas, perfazendo um total de 20% (há que se considerar em posterior estudo que no curso noturno a presença feminina é de apenas 13,3% e no diurno aumenta significativamente para 24,65%). Há que se ressaltar que nossa turma de 1/2018 conta com a presença de 12 meninas em uma turma de 46 do bacharelado, ou seja temos 26% de ingressantes meninas. A estatística da licenciatura, por outro lado é também intrigante, com apenas 8,3% de participação feminina no ingresso (as meninas estão entrando na Física com mais expectativa na carreira de pesquisadoras e menos com a intenção de se tornarem professoras do ensino básico?). Ainda assim, o total das estudantes em ambos os cursos mostra significativa evolução numérica comparada à 2005. Porém, enquanto a participação aumenta no ingresso, permanece o cenário de diminuição delas ao longo da pós-graduação e fixação profissional.

A pesquisa vem com a perspectiva de estimular a participação feminina nas ciência exatas, em especial no curso de física. Propostas como está aqui apresentada são de vital importância para que futuras gerações de mulheres compreendam o que é a física e se estimulem pelo assunto, inclusive escolhendo a ciência como profissão.

O projeto tem um potencial de motivação para as ciências exatas, para a experimentação e para a formação docente. É importante nas séries iniciais para incentivá-las a descobrir como o mundo funciona por intermédio da experimentação e da aplicação do pensamento crítico. Assim, motivando-as a seguir a carreira científica.

A importância do projeto no contexto atual do sítio de aplicação se dá pelo seguintes itens: A cidade satélite do Paranoá apresenta um alto nível de gravidez na adolescência; É carente de oportunidades científicas; É considerada uma cidade muito violenta. Assim, este projeto foi proposto pensando como forma de ofertar oportunidades e garantir alguma participação das mulheres desta região na física. A ideia nasceu das experiências de infância de uma das integrantes da equipe, que na infância foi criada na comunidade do Paranoá, estudou no CEF 03 do Paranoá, enfrentou a violência, as dificuldades de gênero e a falta de oportunidades do local. E VENCEU! Atualmente é docente no IF/UnB. Encontra na sua história a possibilidade de motivar outras meninas.

 

 

RESULTADOS ESPERADOS

 

Esperamos que no futuro as meninas, possam ter melhores oportunidades, e caso tenham afinidades com as ciências exatas, criem confiança e força para seguir seus sonhos.

Que os docentes envolvidos tenham uma oportunidade de formação e troca de experiências. Que a equipe consiga no geral incentivar a multiplicar, troca de conhecimento científico e estimular a participação das mulheres na ciência.

Como resultado imediato, pretendemos que tenhamos ao final do projeto formado um grupo de discentes e docentes que sejam capazes de reproduzir e implementar com seus colegas as técnicas e metodologias desenvolvidas. Além disso, este projeto visa a criação de material de referência, que permitirá dar maior visibilidade e abrangência a tudo que for feito.